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Fóruns com representantes de IES acontecem nesta sexta (11)

Confira entrevista com palestrante

Atualizado em 14/08/2017

 

Os Fóruns Estaduais de Coordenadores de Curso, Responsáveis Técnicos dos Serviços-Escola e Professores de Ética acontece nesta sexta-feira (11), em Curitiba, e reunirá representantes de diversas Instituições de Ensino do Paraná (IES).

Já estão confirmadas as presenças da Unicentro (Irati); Fatecie (Paranavaí); FAE (Curitiba); Facel (Curitiba); Fadep (Pato Branco); Unipar (Cascavel); Faculdade Assis Gurgacz (Cascavel); Uniguaçu (Foz do Iguaçu); Unifil (Londrina); UEM (Maringá); UFPR (Curitiba); Unicentro (Irati); Uniandrade (Curitiba); Uniamérica (Foz do Iguaçu); Tuiuti (Curitiba); Faculdade Dom Bosco (Curitiba); Unicampo (Campo Mourão); Integrado (Campo Mourão); PUCPR (Toledo); e Unifamma (Maringá).

 

Conversamos com a Psicóloga Raquel Guzzo (CRP-06/00557), que ministrará a palestra da manhã, com o tema “Uma análise crítica da formação em Psicologia: desafios, expectativas e novas perspectivas”. A palestra será aberta à participação de Psicólogas(os) e também contará com transmissão online (a parte da tarde, no entanto, será destinada apenas aos representantes das IES).

 

CRP-PR: Na sua palestra, você vai fazer uma análise dos desafios, expectativas e novas perspectivas da formação em Psicologia. Qual a importância de discutirmos estas questões no atual momento da sociedade e da Psicologia como profissão?

Raquel Guzzo: A ideia de conversar com Coordenadores de Curso, Responsáveis Técnicos pelos Serviços de Psicologia e Professores de Ética é bastante desafiadora pois, para mim, tem um objetivo de reflexão sobre qual o perfil de profissionais estamos formando e como eles vão lidar com a realidade concreta e a vida cotidiana das pessoas em seus distintos papéis sociais e contextos de vida e trabalho. Hoje, particularmente, eu defendo a tese de que a Psicologia, como ciência e profissão, está imersa em um modelo de sociedade com a qual tem compromissos ideológicos e, por mais que se busque abandonar essa condição, há sempre um obstáculo inerente à própria área – o interesse em que a Psicologia não tome partido, não se posicione e se mantenha como uma ciência que estuda e trata do indivíduo independentemente de seu contexto histórico e social.

 

A ideia de conversar com Coordenadores de Curso, Responsáveis Técnicos pelos Serviços de Psicologia e Professores de Ética é bastante desafiadora pois, para mim, tem um objetivo de reflexão sobre qual o perfil de profissionais estamos formando e como eles vão lidar com a realidade concreta e a vida cotidiana das pessoas em seus distintos papéis sociais e contextos de vida e trabalho.

 

Poderia nos resumir um pouco do que trará aos participantes?

Eu gostaria muito de poder debater a importância de uma leitura política da conjuntura ou, dito de outra forma, dos elementos presentes na realidade que afetam e determinam a vida cotidiana das pessoas. E que pudéssemos compreender como a formação em Psicologia usualmente passa ao largo dessas análises. Um exemplo disso é como entender o impacto da pobreza no desenvolvimento de crianças. O que a Psicologia tem a dizer de jovens em liberdade assistida e como lidar com essa realidade? Como preparar estudantes para uma inserção profissional em campos onde a desigualdade social deixa marcas profundas na maneira como as pessoas vivem objetiva e subjetivamente? São tantas as questões que precisariam ser revistas na formação a partir de uma matriz onde o perfil profissional e as possibilidades de trabalho possam ser aprofundada nesse período de formação que talvez esse fórum seja apenas um deflagrador de um processo de análise da nossa realidade, de revisão curricular e de perspectivas para a formação. Temos muito cursos de formação em Psicologia no país. Formamos muitos profissionais. Temos pouca clareza do que eles fazem, o que aprenderam e o que esperam da profissão, além de quais são as demandas por profissionais nos espaços e campos de trabalho. Isso para mim já indica que formamos sem uma sustentação substancial, meio que no automático...

 

São tantas as questões que precisariam ser revistas na formação a partir de uma matriz onde o perfil profissional e as possibilidades de trabalho possam ser aprofundada nesse período de formação que talvez esse fórum seja apenas um deflagrador de um processo de análise da nossa realidade.

 

Estamos nos aproximando do Dia da(o) Psicóloga(o), e gostaria de saber que mensagem você deixaria para professores e coordenadores, que são fundamentais na formação das(os) nossas(os) Psicólogas(os)? E para os estudantes e profissionais, qual seria a sua mensagem neste dia?

De que profissionais o Brasil precisa? A Psicologia poderia e deveria ser uma profissão para o fortalecimento de pessoas na luta por sua emancipação. De que serve, de fato, o conhecimento que desenvolvemos em sala de aula e as experiências de estágio e serviço para mudar alguma coisa na vida das pessoas e comunidades? Penso que, a resposta a essas questões nos ajudaria a melhor formar para a realidade que está ai presente e opulenta diante de nós.

 

Para se inscrever no Fórum (parte da manhã), clique aqui.